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Please use this identifier to cite or link to this item: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15098
Tipo do documento: Tese
Título: Travessia do corporal para o simbólico corporal
Autor: Rache, Eliana
Primeiro orientador: Figueiredo, Luís Claudio Mendonça
Resumo: Esta pesquisa partiu de um questionamento clínico. A psicanálise consegue trabalhar em terapia pacientes borderline, cuja linguagem verbal precária e dificuldade de relacionamento clama por outro tipo de interpretação que não só o verbal? A minha hipótese era que o contato com esses pacientes deveria ser estabelecido no ponto exato de sua regressão não importando quão arcaica esta pudesse ser. As palavras de nada serviam para chegar ao paciente a não ser fazer barulho. Para adotar um termo cunhado por Nelson Coelho Junior (2010), o de corporeidade, começo a prestar atenção que muitas vezes minha corporeidade, não a psíquica, mas a física, tem reações às corporeidades de minhas pacientes. Esse termo é importante, pois nos oferece uma alternativa para a clássica separação corpo-mente, seria designar um campo específico de experiências, sensoriais, afetivas e significantes mesmo que protosimbólicas (2010, p. 53). As dimensões da corporeidade delas e a minha reagem em níveis diferentes da própria corporeidade. No início, as respostas psíquicas das meninas podiam ser vistas em atos, comportamentos, posturas, feições, sendo necessário aprender a lê-las. Como também minha corporeidade pode por mim ser sentida, vista e compreendida silenciosamente. Em momentos de muita tensão, quando minha respiração estancava, era o momento de uma nova conquista ter lugar na paciente. Como se, apenas, quando eu voltasse a respirar algo podia nascer dentro dela. Esta comunicação silenciosa feita na base da anatomia e fisiologia de corpos vivos e que inclui as evidências cruas da vida, como os movimentos de respiração, os batimentos cardíacos, o suor e o calor da pele, oferecia-se não só como o campo privilegiado de trabalho, mas, também, me remetia aos tempos primordiais da relação mãe-criança. Datam desses tempos faltas no relacionamento: de afeto, do banho sensorial e emocional bem ajustado e afinado que ao criarem buracos no sujeito, (falta de ligações em seu psiquismo) vão se manifestar num contato absolutamente empobrecido, não só no verbal. Os casos clínicos usados nesta pesquisa dizem respeito a duas pacientes meninas: Bia de sete anos e Laura de três, época em que iniciaram seu processo de análise, e cujas sessões foram os disparadores da busca de sustentação teórica para esse tipo de clínica. As pesquisas tanto de cunho teórico quanto clínico me conduziram a escolher René Roussillon como o eixo central de sustentação teórico-clínico de meu trabalho, sobretudo com seu conceito de simbolização primária . Este tipo de simbolização é aquele que corresponde às necessidades precoces do desenvolvimento e compõe o percurso do processo de simbolização mais conhecido, a simbolização secundária . A simbolização primária seria um processo dos tempos primeiros do contato mãe-bebê que poderia ser sintetizado da seguinte maneira: O tempo primeiro, considerado no limite do pensável, diz respeito à apropriação inicial da experiência sensorial a qual se acompanha da contenção da excitação que se faz presente nesta experiência primária de caráter desorganizador. É o tempo da constituição da pulsão que já teve seu início desde o período fetal. Pode-se concebê-lo como a primeira metabolização sensório perceptiva motora, que deve ao mesmo tempo operar uma descondensação da experiência sensorial global para permitir sua posse para em seguida reorganizá-la em esquemas perceptivos motores que constituem as primeiras formas de representação. Parece que esta primeira fase se organiza sob o primado do tocar, do controle do movimento (através de informações kinestésicas e vestibulares). Logo vem o tempo da simbolização primária 5 propriamente dita, no qual os traços perceptivos motores são transformados em representações coisa. Esse processo reúne alucinação e percepção e pressupõe uma atividade de ligação e de síntese, tal como acontece durante a partilha estésica. É quando tem entrada de maneira predominante o registro visual. Finalmente chegamos então ao tempo da metabolização da linguagem em representações de palavras, tempo da simbolização secundária, tempo de dar sentido dentro de uma temporalidade linear, tempo este bem conhecido por todos nós. Portanto como meu direcionamento apontava para expressões corporais que veiculassem o psíquico, no sentido de alcançar compreensão, para material não verbal a teorização que Roussillon desenvolvia servia plenamente a meus propósitos. Através do que Roussillon chama de partilha estésica, movimento da dupla mãe-bebê para desenvolver a ideia do si mesmo, permito-me pensar que foi este tipo de falta de ajuste que tanto Bia como Laura se ressentiram pela ausência de suas mães. Acredito que através de partilhar estesicamente tanto com Bia como com Laura consegui algum tipo de simbolização primária para estas meninas. Vale ainda lembrar, que Roussillon apesar de seu conhecimento estar enraizado em solo freudiano, mantém como interlocutor Winnicott, que contribui para colocar os conhecimentos psicanalíticos num paradigma de atualidade
Abstract: This research started off from a clinical question. Can psychoanalysis work in therapy with borderline patients, whose poor verbal language and difficulties on relationship claim for another kind of interpretation that not a verbal one? My hypothesis was that contact with these patients should be made at the exact level of regression, no matter how archaic it may be. Words were of no use to reach the patient, they seemed to make only noise. To adopt a term coined by Nelson Coelho Junior, (2010), that of corporeality, I started paying attention that on several times my own corporeality, not the psychic one, but the physical one reacted to my patients‟ corporealities. This term is important because it offers us an alternative to the classic division body-mind, it would seem like appointing a specific territory of sensory and affective experiences, meanings, nevertheless being protosymbolic. (2010, p.53). The dimensions of their corporealities and mine reacted to one another at different levels. At the beginning, the girls‟ psychic answers could be seen in acts, behaviors, postures, features becoming necessary to one learn how to read them. As well as, my own corporeality could be felt, seen and understood silently. During moments of tension, when my breath was taken away, was a time when something new was overcoming the patient. As if, only when I started breathing again something was to be born in the patient. This silent communication made on the anatomy and physiology of living bodies which includes the raw evidences of live, as breathing movements, heart beats, the sweat and heat of the skin offered itself not only as a privileged field of work but also sent me back to the early period of mother infant relationship, when different kinds of sensorial and affective faults on the side of the environment may be appointed. These can be assorted as lacks on affect, lack of a sensorial and emotional bath well adjusted and attuned, which creates holes in the subject(missing links in his psyche), which will show itself as very poor contact not only verbal. Clinical cases used in this research relate to two girls patients: Bia, seven years old and Laura, three years old when they started their analysis and whose sessions were triggers to search theoretical support for this kind of clinic. Both researches theoretical and clinical led me to choose René Roussillon as the central axis of my theoretical and clinical support, especially with his concept of primary symbolization . This type of symbolization is that which corresponds to early needs of development and belongs to a major process which is well known as secondary symbolization . Primary symbolization is a process of the early period of development of relationship between mother and infant, which could be summarized as follows: The first period, considered at the limit of thinkable, concerns the initial appropriation of sensory experience which is followed by the containment of excitement that is present in this primary experience of disruptive nature. It is the time when drives are constituted, which had already started since fetal period. It can be considered as the first sensory perceptive motor metabolization, which must operate at the same time a global decondensation of sensory experience to allow appropriation, to then rearrange it into perceptual motor schemes which constitutes the earliest forms of representations. It seems that this first phase is organized under the primacy of touch, motion control (through kinesthetic and vestibular information). Then comes the time of primary symbolization itself, in which perceptive motor traces are transformed into thing representation. This process brings together perception and hallucination, and presumes a binding activity and synthesis, as it happens during aesthesic sharing. It is when predominantly visual record has its entry. Finally 7 we come to the time when takes place the metabolizing process of language changing thing representation to word representation, time of secondary symbolization, time to give sense within a linear temporality, this period very well known to all of us. So, as my direction pointed to body expressions that convey psychic apparatus to achieve understanding for non verbal material, Roussillons‟ theory fully served my purpose. Through what Roussillon called aesthesic share, early corporal movement between mother and infant to develop the sense of self, I allow myself to think that both patients, Bia and Laura, had suffered lack of this kind of maternal attunement. I believe that my analytic work evolved around sharing aesthesic and affective attunement with the two girls promoting primary symbolization . It is worth remembering that although Roussillon‟s knowledge is rooted on a Freudian ground he maintains a vivid interlocution with Winnicott which adds an up to date paradigm to psychoanalysis
Palavras-chave: Simbolização primária
Roussillon
Apropriação subjetiva
comunicação de co-corporeidade
Primary symbolization
Subjective appropriation
Co-corporeal-communication
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Idioma: por
País: BR
Instituição: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da instituição: PUC-SP
Departamento: Psicologia
Programa: Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica
Citação: Rache, Eliana. Travessia do corporal para o simbólico corporal. 2011. 177 f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.
Tipo de acesso: Acesso Restrito
URI: https://tede2.pucsp.br/handle/handle/15098
Data de defesa: 25-Nov-2011
Appears in Collections:Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia: Psicologia Clínica

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