REPOSITORIO PUCSP Teses e Dissertações dos Programas de Pós-Graduação da PUC-SP Programa de Estudos Pós-Graduados em História
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Tipo: Dissertação
Título: Entre doutos e leigas: criminalização e resistência das práticas populares de saúde e o discurso médico-científico sobre corpos generificados (São Paulo - 1894-1914)
Título(s) alternativo(s): Between the scholarly and the practitioners: the criminalization and resistance of popular health practices and the medical-scientific discourse of the gendered bodies (São Paulo - 1894-1914)
Autor(es): Carvalho, Patrícia Rocha
Primeiro Orientador: Dias, Luiz Antonio
Resumo: Esta dissertação toma por objeto de pesquisa as práticas populares de saúde desenvolvidas por meio dos saberes tradicionais de parteiras, benzedeiras e curandeiras entre os anos de 1894-1914 em São Paulo. A partir desse tema, discutese sobre os atravessamentos do processo de medicalização social emergente no início do período republicano sobre as referidas práticas populares, bem como sobre as identidades de gênero elaboradas nessa conjuntura sociopolítica. Compreendemos a medicalização como uma estratégia biopolítica e, portanto, como um mecanismo de poder calcado na dimensão biológica humana, com base no qual se promove o gerenciamento da vida e das formas de conduzi-la. Nesse sentido, a medicalização se manifesta como um discurso de autoridade que emana da diluição das fronteiras de intervenção da medicina, que passa a atuar de modo direto em diversas pautas, elaborando diagnósticos sociais. Nesse bojo, elabora-se a seguinte problemática: como se estabeleceu o processo de criminalização das práticas populares de saúde e a contenção de sua elaboração e difusão e de que maneira as resistências se manifestaram ante as dinâmicas de medicalização? De que forma tais desenvolvimentos históricos favoreceram a elaboração de discursos estereotipados em torno das identidades sexuais e de gênero? Tais indagações impulsionam o intento de evidenciar os projetos políticos que engendraram a criminalização das práticas populares de saúde e refletir de que modo esse desenrolar histórico favoreceu a constituição do monopólio sexista, classista e racista da ciência médica, que culminou por promover e difundir visões estereotipadas sobre as identidades de gênero. De maneira específica, esta pesquisa se desenvolve com base nos seguintes objetivos orientadores: 1) compreender de que maneira os ideais republicanos promoveram o monopólio classista e sexista dos saberes e práticas médicocientíficos; 2) avaliar as representações das elites de São Paulo sobre as práticas populares de saúde; 3) avaliar possíveis circularidades culturais entre conhecimentos tradicionais e conhecimentos científicos; 4) analisar como o processo de dominação masculina no campo médico-científico promoveu o controle de corpos femininos e a difusão de padrões sociais de gênero, ancorados em óticas naturalizantes e de cunho invariavelmente machista; 5) investigar os processos históricos de resistências culturais vivenciados por curandeiras, parteiras e benzedeiras. Para tanto, dialogamos de maneira fundamental com os estudos de gênero e história das mulheres e com os trabalhos foucaultianos. Como fonte documental, utilizamos o jornal Correio Paulistano, representante oficial do estado republicano oligárquico paulista e, portanto, aliado às demandas das classes dominantes; a Revista Médica de São Paulo: jornal prático de medicina, cirurgia e higiene, relevante mídia de discussão científica e influente canal de expressão dos intentos médicos; e legislações de época (Código Penal de 1890, Constituição Federal de 1891, Constituição Estadual de 1891 e demais leis organizadas pelo Serviço Sanitário)
Abstract: This essay analyses as research object the popular health practices developed through the traditional knowledge of midwives, faith healers and traditional healers between the years 1894-1914 in São Paulo. Based on this theme, we discuss the crossings of the process of social medicalization that emerged at the beginning of the republican period on the aforementioned popular practices, as well as on the gender identities elaborated in this sociopolitical conjuncture. We understand medicalization as a biopolitical strategy and, therefore, as a mechanism of power over the human biological dimension, based on which the management of life and ways of leading it are promoted. In this sense, medicalization manifests itself as a discourse of authority that emanates from the dilution of medicine's intervention frontiers, which starts to act directly on different agendas, elaborating social diagnoses. In this context, the following problem is elaborated: how was the process of criminalization of popular health practices established and the containment of its elaboration and diffusion and how did resistance manifest itself in the face of the dynamics of medicalization? How did such historical developments favor the elaboration of stereotyped discourses around sexual and gender identities? Such questions drive the attempt to highlight the political projects that resulted in the criminalization of popular health practices and to reflect on how this historical development favored the constitution of a sexist, classist and racist monopoly of medical practices which culminated in promoting and spreading stereotyped views about gender identities. Specifically, this research is developed based on the following guiding objectives: 1) to understand how republican ideals promoted the classist and sexist monopoly of medical-scientific knowledge and practices; 2) to assess the representations of the elites of São Paulo about popular health practices; 3) to evaluate possible cultural circularities between traditional knowledge and scientific knowledge; 4) to analyze how the process of male domination in the medical-scientific field promoted the control of female bodies and the dissemination of social gender standards, anchored in naturalizing sexist optics; 5) investigate the historical processes of cultural resistance experienced by midwives, faith healers and traditional healers o do so, we dialogue in a fundamental way with gender and women's history studies and with Foucauldian works. As a documental source, we used the newspaper Correio Paulistano, official representative of the oligarchic republican state of São Paulo and, therefore, allied to the demands of the dominant classes; Revista Médica de São Paulo: a medical journal about medicine, surgery and hygiene, a relevant means of scientific discussion and an influential channel for the expression of medical intentions at the time; and legislation at the time (Penal Code of 1890, Federal Constitution of 1891, State Constitution of 1891 and other laws organized by the Health and Sanitary Services)
Palavras-chave: Práticas populares de saúde
Medicina tradicional
Medicalização social
Relações de gênero
História das mulheres
Popular health practices
Traditional medicine
Social medicalization
Gender relations
Women's history
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da Instituição: PUC-SP
metadata.dc.publisher.department: Faculdade de Ciências Sociais
metadata.dc.publisher.program: Programa de Estudos Pós-Graduados em História
Citação: Carvalho, Patrícia Rocha. Entre doutos e leigas: criminalização e resistência das práticas populares de saúde e o discurso médico-científico sobre corpos generificados (São Paulo - 1894-1914). 2023. Dissertação (Mestrado em História) - Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2023.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/32651
Data do documento: 27-Fev-2023
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