REPOSITORIO PUCSP Teses e Dissertações dos Programas de Pós-Graduação da PUC-SP Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais
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Tipo: Dissertação
Título: Crise climática e antropoceno: perspectivas ecofeministas para liberar a vida
Título(s) alternativo(s): Climate crisis and the Anthropocene: ecofeminist perspectives for liberating life
Autor(es): Colerato, Marina Penido
Primeiro Orientador: Veras, Maura Bicudo
Resumo: Na presente pesquisa buscou-se analisar como práxis ecofeministas podem colaborar para construção de sociedades ecológicas e anti-patriarcais diante da intensificação da crise climática e do aumento da violência contra mulheres no contexto neoliberal, de forma a destacar a relação entre ambos os fenômenos. Analisou-se a agenda global de adaptação e mitigação climáticas, e seu baixo sucesso em reduzir as emissões e promover justiça ecológica, bem como a relação dessa agenda com a ampliação de mercados e a financeirização da natureza. Buscou-se relacionar tal reestruturação com a narrativa pós-política do Antropoceno popular, para qual as contradições de classe figuram de maneira periférica. Seguindo uma epistemologia ecofeminista e utilizando o materialismo histórico, objetivou-se avaliar a hipótese de a crise climática ser uma das expressões do esgotamento das relações de valor capitalistas sustentadas por uma classe tripartite, formada por mulheres, natureza/colônias, e trabalhadores livres (Femitariado, Biotariado, Proletariado) e uma das consequências da sociedade patriarcal capitalista em ignorar a realidade material e ecológica da própria existência corporificada e encarnada. A partir de uma proposta ecofeminista que tem como base: i) o argumento ecofeminista que existe uma relação entre a subordinação das mulheres e a exploração da natureza, ii) a necessidade levantada pela ecologia profunda de uma cosmologia e ontologia não antropocêntricas e iii) a análise marxista das relações dialéticas entre humanos e vida material, analisase as perspectivas ecofeministas nas práxis de Jineolojî do Movimento de Mulheres Curdas. A metodologia da presente pesquisa se embasa nos postulados da Pesquisaação Participatória Feminista proposta pela socióloga Maria Mies (1996). Entre os resultados apresentados, confirma-se a hipótese que a superexploração das mulheres, natureza e "colônias" é uma necessidade material histórica, e que a agenda global para o "desenvolvimento" e "economia verde" tem sido utilizada para viabilizar o processo de acumulação frente à estagnação dos lucros. Conclui-se que o caminho para desfazer tais relações de valor forjadas para possibilitar o desenvolvimento e o progresso infinitos insustentáveis passa invariavelmente pela liberação das mulheres enquanto classe. Conclui-se, ainda, que Movimento de Mulheres Curdas, em consonância com as práxis ecofeministas, está construindo comunidades autárquicas, ecológicas e anti-patriarcais centradas na produção da vida, ainda que dentro de um contexto desfavorável; caso de Jinwar, a vila das mulheres livres em Rojava. Tal movimento, combinado ao movimento de outras mulheres em países do Norte e Sul sob uma perspectiva de diplomacia dos povos, oferece renovadas possibilidades para a luta anti-patriarcal e ecológica no século XXI
Abstract: This research analyzed how ecofeminist praxis can collaborate to build ecological and anti-patriarchal societies in the face of the intensification of the climate crisis and the increase in violence against women in the neoliberal context, highlighting the interconnectedness of both phenomena. The global climate agenda's low success in reducing emissions and promoting ecological justice, and the relationship of this agenda with the expansion of markets and the financialization of nature, were analyzed along with the post-political narrative of the popular Anthropocene, in which class contradictions figure peripherally. Using ecofeminist epistemology and historical materialism, the objective was to evaluate the hypothesis that the climate crisis is one expression of the depletion of capitalist value relations sustained by a tripartite class formed by women, nature/colonies, and free workers (Femitariat, Biotariat, Proletariat) and a consequence of a patriarchal capitalist society which ignores the material and ecological reality of its own embodied and embedded existence. It analyzed the ecofeminist perspectives in the praxis of Jineolojî of the Kurdish Women's Movement from an ecofeminist proposal based on: i) the ecofeminist argument that there is a relationship between the subordination of women and the exploitation of nature, ii) the need raised by deep ecology for a non-anthropocentric cosmology and ontology and, iii) the Marxist analysis of the dialectic relations between humans and material life based on the Feminist Participatory Action-Research methodology proposed by sociologist Maria Mies (1996). The results confirmed the hypothesis that women, nature, and "colonies" exploitation is a historical material necessity and that the global agenda for "development" and "green economy" has been used to make the accumulation process viable in the face of profit stagnation. It concluded by suggesting the way to dismantle such value relationships forged to enable unsustainable infinite development and progress is to demand women’s liberation. It also showed how the Kurdish Women's Movement, in line with ecofeminist praxis, is building autarchic, ecological, and anti-patriarchal communities centered on the production of life, albeit within an unfavorable context; case of Jinwar, the Village of free women in Rojava. Combined with local women's struggles in countries of the global North and South from a peoples' diplomacy perspective, the case study offered renewed possibilities for the anti-patriarchal and ecological struggles in the 21st century
Palavras-chave: Ecofeminismo
Crise climática
Patriarcado
Antropoceno
Rojava
Jineolojî
Luta de classes
Movimento de Mulheres Curdas
Ecofeminism
Climate crisis
Patriarchy
Anthropocene
Rojava
Jineolojî
Class struggle
Kurdish Women's Movement
CNPq: CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Sigla da Instituição: PUC-SP
metadata.dc.publisher.department: Faculdade de Ciências Sociais
metadata.dc.publisher.program: Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais
Citação: Colerato, Marina Penido. Crise climática e antropoceno: perspectivas ecofeministas para liberar a vida. 2023. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2023.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.pucsp.br/jspui/handle/handle/39337
Data do documento: 30-Ago-2023
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